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Brincando de fotografia macro com lente invertida

Olá pessoal.

Tenho certeza que todo mundo aí já ouviu falar dessa técnica de fotografar macro usando a lente invertida. Definitivamente isso não é novidade.

Mas sabem que eu NUNCA tinha brincado disso? Pra falar a verdade, eu nem sabia como fazer. Descobri que mais simples, impossível. Tire a objetiva da câmera, vire ao contrário e segure na frente do corpo da câmera. Dificil, não?

Bom, isso é um assunto. Outro assunto, que o pessoal que me segue no twitter acompanhou, é que eu resgatei na semana passada uma gatinha que estava quase morrendo. Hoje, felizmente ela já está comendo bem, saudável e está bem mais gordinha.

O que uma coisa tem a ver com a outra? É que aproveitei a oportunidade para mostrar as fotos dela para vocês (já que tinha gente pedindo no twitter) e, ao mesmo tempo, mostrar a técnica do macro com a lente invertida.

Nessas primeiras imagens, estou usando a lente 50mm na posição normal.

E nessas a seguir, inverti a lente 50mm, para fazer uns macros legais.

Mas Huaíne, o que diabos isso tem a ver com fotografia infantil?

Em princípio, nada! Mas se você forem um pouco criativos, podem usar sim essa técnica com fotografia infantil, fotografando, por exemplo, detalhes dos recém nascidos, assim como fiz com a gatinha. Legal, não é?

Pensei em fazer um vídeo para vocês, demonstrando a técnica. Mas deixei para os feras! (até porque eu aprendi a fazer isso agora, rs).

A seguir vocês conferem um vídeo explicativo, feito pela Imagetech, com o fotógrafo Leandro Nunes.

Grande abraço a todos.

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Dica de Livro: Fotógrafo – O olhar, a técnica e o trabalho.

Olá amigos.

Há um tempo atrás, comecei a fazer um curso no SENAC de Cascavel, sobre Fotografia de Eventos Sociais. O curso é legalzinho, sem grandes novidades, mas é um bom lugar para ir e conversar com os colegas sobre fotografia.

Para tirar proveito da experiência toda, procurei na biblioteca algum livro de fotografia (mesmo o cara que atende lá dizendo que não tinha nenhum!) e encontrei este, chamado Fotógrafo – O olhar, a técnica e trabalho, da Editora Senac Nacional.


Achei muito legal por ser uma produção 100% brasileira. Conta com belas imagens de renomados fotógrafos brasileiros, como Carios Humberto TDC, Evandro Teixeira, Marc Ferrez, Militão, Nair Benedicto, Pedro Karp Vasquez, Sebastião Salgado, Vik Muniz, dentre outros.

O livro é dividido em quatro grandes capítulos, todos eles muito bem escritos e, principalmente, ricamente ilustrados.

Vamos comentar um pouquinho cada capítulo.

I – O Olhar do Fotógrafo

Essa primeira parte fala da fotografia como documento histórico, sobre como buscar uma linguagem pessoal e inovar sempre. Conta com algumas lindas imagens de Sebastião Salgado e do mestre Cartier-Bresson (amo aquela imagem do menino com as garrafas), onde explicam sobre o ‘momento decisivo’.

De tempos em tempos, durante os capítulos, há pequenos quadros com atividades a serem seguidas. Muito legal isso, eles falam sobre o assunto, depois dão a dica de como exercitar.

Dentro dessa primeira parte, há relatos de fotógrafos brasileiros sobre sua história na fotografia e como construíram o próprio olhar.

II – Como Fotografar.

O segundo capítulo é de praxe. Dicas técnicas e básicas, sobre os principais conceitos [conhecimento obrigatório] da fotografia. Conta com explicações sobre: Partes da câmera fotográfica; Equipamentos e Formatos; Filmes; Luz; Acessórios para câmera; sobre como colocar em Prática os conhecimentos adquiridos; sobre Estúdio Fotográfico e ainda sobre Informática e a Fotografia.

É engraçado, pois como o livro é de 2002 (nem faz tanto tempo assim, hein), muita coisa mudou de lá pra cá, então pode parecer que o livro está desatualizado. Mas ao mesmo tempo, relendo certas coisas, vejo que muita coisa na fotografia não mudou e eu adoraria que os filhos da fotografia digital voltassem um pouquinho no tempo e entendessem certos conceitos que estão sendo perdidos.

As explicações sobre tipos de objetivas, sobre profundidade de campo, obturadores, diafragma, são todas muito detalhadas, com ilustrações. Muito bom pra quem tem dificuldade em entender a matemática por trás da fotografia.

A parte que explica sobre luz é riquíssima. Fala sobre fotômetros manuais, digitais, sobre como interpretar, ler e entender a luz. Realmente muito bom!

Na sessão dedicada à informática, essa tive que ler só por diversão mesmo, já que muita coisa não é mais aplicada. É bem legal ver como a coisa toda evoluiu muito. Ali eles falam sobre resolução de monitor, sobre ppi, megapixel, bits, e tem até um “Informatiquês para Fotógrafos”, onde explicam alguns termos que até então eram novos, como Balanço de Brancos, CCD, JPEG, RGB, entre outros.

III – Laboratório Fotográfico.

Confesso que essa parte achei bem chatinha. Já li isso em livros demais e como nunca pus em prática, fica chato de ler. Pra quem tem interesse no assunto, explica bem detalhadinho sobre as partes do laboratório de revelação, sobre os químicos usados, etc. Fala até sobre como se organizar e manter a segurança (alergia, inalação de gases tóxicos, são um exemplo) no laboratório.

IV – Um Mercado de Trabalho em Transformação [e com muitas opções].

No último capítulo, tratam um pouco da fotografia como profissão. Sobre algumas especialidades da fotografia, sobre como gerenciar sua carreira e a atualização profissional.

Aliás, ainda nesse assunto, o pessoal que me acompanha no Fotografia-DG já deve ter visto que escrevi sobre Como se Inserir no Mercado Fotográfico, vale a pena dar uma lidinha.

Voltando ao livro, acho legal como falam sobre ter um diferencial e não pensar somente no mercado, esquecendo a fotografia como arte.

“Traçar opções tendo o foco unicamente no mercado, sem dar conta do próprio temperamento e perfil psicológico, pode ser um caminho curto para o suicídio profissional.”

Para quem tem dúvida de em que área atuar e por onde começar, há explicações sobre algumas especialidades, como o fotojornalismo, a fotografia social, a macrofotografia, fotografia submarina, a editorial, entre outros.

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De modo geral, gostei bastante do livro. Tem  bastante cara de “primeiro livro”. Digo, eu que já li muitos livros básicos, o assunto se torna repetitivo, mas para quem está começando e procura um livro para tratar do passo-a-passo, esse da Editora Senac é uma boa opção.

Se você tem SENAC na sua cidade, vale a pena dar uma passadinha e ver se encontra na biblioteca. Acho que nem precisa ser aluno nem nada rsrs. Eu cheguei la, o cara só anotou meu nome e telefone. Nem meu RG ele pediu hehehe.

Fica a dica relâmpago de hoje. Adoro dar dicas de livros. Sempre torço para que 10% das pessoas que lêem o blog realmente leiam algum livro de fotografia. É bom demais!

OBS: Galera, confesso que ando meio sem assunto. Ate tenho umas ideias de posts, mas são aquelas dicas em vídeo que ando sem tempo de fazer. Se vocês tem alguma sugestão do que gostariam de ver por aqui, pode “mandá bala”!

Um abração e até a próxima.

Huaíne Nunes.

Zerar o Fotômetro?! Essa e outras pérolas da fotografia.

Há um tempo atrás eu estava conversando com um amigo, o fotógrafo Darlinton Ferreira, sobre algumas frases que ouvimos quando estamos com outros fotógrafos que – para nós – não faz o menor sentido.

Fiquei um tempão refletindo se deveria fazer essa postagem e, caso fizesse, se faria em forma de vídeo ou escrita. Quase fiz em video, pois achei que eu precisaria ser enfática em alguns pontos, mas depois desisti.

Bom, vou começar pela recente experiência do Darlinton, que me inspirou a escrever e também ilustra o título do texto.

1- Zerar o fotômetro. WTF?

Além dessa eu já ouvi alguns variações do tipo “finalmente aprendi a fotometrar”. Explico. Eis que meu amigo Darlinton estava fotografando em conjunto com outros colegas e um deles disse que finalmente aprendeu a “zerar o fotômetro”.

Pois bem, vejamos. Se a pessoa se referia a conseguir colocar o “pontinho no meio”, sinto informar-lhe que isso não é saber fotometrar. Primeiro porque até um macaco consegue fazer isso. Segundo porque você pode girar o dial da sua câmera loucamente e mais cedo ou mais tarde o tal pontinho vai ficar o meio. Isso não significa que você saiba o que está fazendo.

Perceba que, se velocidade e abertura são inversamente proporcionais, é só jogar uma pra um lado, outra pro outro e você vai, eventualmente, conseguir uma correta exposição.

Aprender a fotometrar significa aprender os conceitos, entender a luz e saber usar o fotômetro a seu favor, como assistente.

Existem inúmeras combinações de velocidade, abertura e ISO que te trarão exatamente a mesma exposição. Cabe a você julgar qual é a melhor delas, sendo assistido pelo fotômetro (que mede a luz pra você, facilitando a sua vida).

exemplo de fotômetro onde é só girar e pôr no meio

2- Toda lente de kit é escura.

Essa foi o ápice. Depois de parar de rir, foi a gota d’água para que eu escrevesse para vocês sobre esses conceitos altamente deturpados que as pessoas têm.

O sujeito disse que fez um teste, câmeras iguais, com “tudo igualzinho”. Aqui eu deduzo que quis dizer, mesma velocidade, mesma abertura e mesmo ISO. Então o teste dele revelou que numa 50mm f/1.8, com “tudo igualzinho”, ela é mais clara que uma lente de kit.

Vamos analisar porquê esse é um erro absurdo. Se a abertura (tanto na 50mm como na lente de kit) for f/5.6, por exemplo, usando o mesmo ISO e mesma velocidade a exposição será a mesma. Não existe lente mais clara que a outra, existe lente com maiores aberturas.

As pessoas pensam que a 50mm é uma lente clara e ponto. Então se ela tiver em f/16 ela será clara. Amigos, vou escrever bem devagar para vocês entenderem (hahahaha):

E pra deixar mais claro ainda, fizemos o teste. Foram feitas duas fotos,  usando uma Nikon D80. A foto da esquerda é de uma 50mm e da direita com uma 18-135mm, na distância focal de 50mm. Ambas estão com abertura f/5.6, velocidade 1/2 e ISO800. Vejam que a exposição está igual! A 50mm não é mais clara que a lente do kit, ela só permite aberturas maiores. É claro que a diferença que vocês notarão é de nitidez e qualidade ótica, mas em termos de luminosidade, vejam que a foto ficou igual.

3- Fotógrafo bom só fotografa no modo Manual.

Essa é outra coisa que não me parece fazer sentido algum. Em primeiro lugar, que falta de segurança é essa que as pessoas têm? Para saber se é bom fotógrafo ou não, ficam tentando se auto-afirmar dessa forma. Patético.

E depois que não é toda foto que tem necessidade de ser minunciosamente medida. Se a configuração que eu faria em determinada foto, for exatamente a mesma que o fotômetro faria automaticamente, pra quê perder esse tempo?

Vou exemplificar. Peguei duas imagens do meu acervo pessoal.

A primeira imagem é um perfeito exemplo de que tanto a fotometria manual que eu fizesse – que com certeza seria grande abertura para o fundo desfocado, aliado à velocidade relativamente alta para congelar o cachorrinho – quanto a fotometria feita de forma automática pela câmera seriam muito parecidas. Como tanto faz, posso usar configurações automáticas e ganhar tempo.

Já na segunda imagem não posso dizer o mesmo. Tenho certeza que se usasse modos automáticos, o resultado final não chegaria nem perto deste que consegui. Foi preciso analisar a luz para saber qual configuração usar. É por isso que é importante saber usar o modo manual. Mas isso significa saber o que está fazendo e não usar por usar.

Bom pessoal, espero não ter ofendido ninguém com algumas das afirmações.

E para àqueles que mesmo assim, se sentiram ofendidos, talvez seja uma boa hora de rever alguns conceitos e estudar outros.

Um abraço.

DIY! Faça você mesmo: Rebatedor para flash externo.

Olá pessoal, como estão?

Hoje nós vamos aprender a fazer rebatedores para flash externo, usando algumas ferramentas caseiras.

Faremos dois modelos, um de cartolina e outro de EVA.

Rebatedores para flash são muito úteis, pois aumentam a área de luz, deixando-a mais difusa e homogênea. Para retratos são uma mão-na-roda.

Você vai precisar de: cartolina branca, elástico de dinheiro, fita adesiva (preferencia dupla-face), silvertape, estilete ou tesoura, uma folha de E.V.A. e velcro.

Este primeiro modelo, quem me passou foi meu amigo e grande fotógrafo, Leandro Neves (as fotos da montagem do de cartolina são dele, o modelo de E.V.A é meu).

Vocês podem imprimir o modelo de cartolina daqui, colar numa cartolina ou papel ainda mais espesso (desde que branco), recortar e montar. No modelo SB600 da Nikon ele fica perfeito.

Para montar, é só reforçar as extremidades da cartolina, aqui o Leandro usou silvertape.

Para fixá-lo no flash, é só usar um elástico, desses de dinheiro. Funciona muito bem.

Por fim, veja como a luz se comporta com ele:

Clique aqui para baixar o modelo do rebatedor pronto para impressão em .pdf.

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O segundo modelinho que você pode experimentar, é o rebatedor em E.V.A. branco. Basta recortar no tamanho desejado, fixar o velcro usando a fita dupla-face e prendê-lo ao flash. O legal desse modelo com velcro, é que ele fica adaptável à quase qualquer modelo de flash.

Vejam como a luz se comporta com ele.

Na primeira foto usei o flash em 45º direto apontado para a minha cunhada. Na segunda imagem, usei o flash em 90º com o rebatedor em E.V.A.

A luz ficou muito menos dura e iluminou melhor o rosto dela.

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O rebatedor se torna muito bom, principalmente em duas situações:

Em locais fechados, onde você não dispõe de teto baixo e/ou branco. O rebatedor “quebrará esse galho”, com a superfície branca simulando o teto e difundindo a luz.

Em local aberto, trabalhando com a luz natural dura (sol ao meio dia, por exemplo). Nesse exemplo, teremos muita luz e muita sombra dura. Usando o flash rebatido, podemos equilibrar essa luz, mesclando a luz artificial com a natural e iluminando o objeto por completo.

Esta imagem da nenezinha engatinhando é um exemplo de luz natural e artificial mescladas. Na frente dela, vinha uma luz relativamente forte, enquanto atrás se formava uma sombra escura. Usando o flah rebatido, preenchi com luz artificial a sombra escura, deixando toda a imagem homogênea.

Brincar com luz é sempre um exercício legal. Aconselho que voces montem vários modelos de rebatedores, virem o flash do avesso ao testar as possibilidades. Eu já fiz milhaaares de modelos, nem todos bem sucedidos, mas todos me fizeram aprender mais sobre o comportamento da luz. É sempre válido!

Maturidade Fotográfica. Aprendendo a enxergar.

Eis um assunto que sempre gera controvérsias nas conversas com meus colegas fotógrafos é a equação técnica/talento na fotografia. Quanto de cada influencia ou é necessária na realização de uma boa imagem?

É até dificíl escrever sobre, pois sei que muita gente pensa diferente – o que é bom – mas não resisti de soltar o verbo aqui no blog sobre o que é olhar fotográfico, do meu ponto de vista.

Costumo descrever o aprendizado fotográfico como uma escada, onde os degraus representam o nível de maturidade em que você se encontra

É muito comum vermos fotógrafos mais novos, começando a aprender a técnica, ficarem tão fascinados com todos os recursos da câmera, que começam a tirar fotos de absolutamente tudo que lhes aparece pela frente.

O cara tira foto da pontinha da unha do cachorro, do próprio pé, do prendedor de roupa…  Até o interruptor vira objeto de clique. É um disparo atrás do outro sem fundamento nenhum, apenas pela empolgação inicial com o equipamento.

Apesar de eu considerar esse como o primeiro degrau na aprendizagem, este não deve ser pulado, pois é um estágio que também contribui com a maturidade do aspirante à fotógrafo. É importante este contato com o equipamento, aprender detalhadamente cada função dele até você sentir que ele virou uma extensão do seu braço. É neste primeiro contato com a fotografia, que mesmo que 98% dos seu cliques possam facilmente ser descartados, você aprende a exercitar a visão.

Suas primeiras 10 mil fotografias são as piores, já dizia Cartier-Bresson.

Uma coisa que sempre digo, é que boa parte do aprendizado na fotografia você faz vendo fotos. Livros técnicos fazem parte do aprendizado SIM, mas para o exercício da composição e da visão fotográfica, ver constantemente boas fotos faz com que a sua percepção do que é uma imagem bem composta melhore muito mais rapidamente.

Aproveitando o gancho, gostaria de recomendar alguns blogs de fotografia infantil que me fizeram aprender muito.  Os que mais gosto são, o blog da Tamara Lackey, o da Erika Verginelli, o Cravo e Canela, do queridíssimo Daniel Nobre e o flickr da Mistybliss que tem seis filhos lindos de morrer e fotos mais lindas ainda.

Mas é óbvio que você não precisa se limitar a estes, basta uma busca simples nos grupos do flickr para encontrar materiais excelentes de fotos para ver, ver, ver, aprender, aprender, aprender.

E depois de ver tantas fotos, minhas fotos vão melhorar?

Certamente que vão. Mesmo que você não queira. Digo isto pois é algo inevitável, faz parte do aprendizado natural. É então quando você sobe para o segundo degrau.

Inevitavelmente também, é neste novo estágio, depois de ver tantas fotos de tantos grandes fotógrafos, que a sua exigência aumenta bastante. Não é ciência exata, mas digo por experiência, que a maioria das pessoas passará pela fase da extrema exigência. Onde qualquer ruído, qualquer ISO mais elevado ou uma foto levemente fora de foco parece impossível de tolerar. Isso porque o indivíduo não está totalmente maduro na fotografia.

Neste estágio também entra a boa e velha neura de equipamentos. Como o indivíduo viu fotos dos caras GRANDES, é claro que ficou impressionado com a qualidade de lentes prime, claríssimas e – porquê não dizer – caríssimas também.

Como já passei por isso e tenho colegas ainda assim, posso afirmar que também faz parte do aprendizado natural. É quase como se a pessoa esquecesse o que está fotografando, desde que a qualidade esteja impecável.

E a impressão que dá para o amador, é que você só conseguirá fotos realmente de qualidade se possuir estes equipamentos.

Depois de um tempo, quando você já desistiu de vender tudo que tem para comprar uma 70-200mm 2.8 é que você começa realmente a repensar sobre o que é fotografia para você.

É neste estágio que atualmente me encontro, o terceiro degrau. Não que não hajam mais degraus para subir, com certeza a subida é constante. Mas por enquanto, estou num nível de maturidade em que você pensa: “não é bem assim!”.

É quando você “esquece” por um tempo do ruído do sensor, aceita seu equipamento e percebe que ele pode te oferecer muito mais do que imaginava. Geralmente nessa fase as pessoas tendem a querer voltar a fotografar com filme. É quando surge o “quero pensar antes de fazer o clique”.

Você passa a raciocinar individualmente em cada composição. O número de disparos contínuos diminui muito, pois você sabe quando fazê-los e quando não desperdiçá-los. Você aprende com a experiência que o que importa mesmo não é o equipamento que você carrega e sim a imagem captada.

Muitas vezes sem câmera alguma em mãos, consigo compôr determinada imagem e saber se isso daria uma boa foto ou não. Aliás, até que abertura e velocidade usar já vem em mente naturalmente. É quando o seu olhar já está apurado.

Vou dizer, essa é uma fase muito legal. Acho que todo mundo deve exercitar seu olhar ao máximo, sempre pensando cuidadosamente na visão fotográfica.

Vamos deixar os clichês e neuras de lado e pensar na fotografia como arte.

Escolhendo seu equipamento fotográfico. Parte II.

Na última postagem, falamos sobre como escolher corpos de câmera de acordo com seus interesses e condições. Nesta segunda parte, falaremos sobre os tipos, marcas e funções das lentes objetivas e como escolhê-las.

Não deixe de ler a parte 1.

Antes de escolher seu set de lentes, tenha em mente o que voce pretende fotografar principalmente. As opções são amplas, mas nada adianta ter um lindo conjunto de lentes se ele não atende às suas necessidades.

Podemos dividir as lentes em basicamente três grandes categorias, as grande-angulares, as normais e as tele-objetivas.

Normais: Essas são as primeiras que temos que entender, por isso comecei pelo meio. A partir daí fica mais fácil entender os outros conceitos.  E bem, a explicação técnica para ela, seria:

“(…) uma objetiva na qual as relações de distância e de perspectiva não se alteram. Ex.: A diagonal do fotograma das câmeras que usam filmes 35mm é de aproximadamente 43mm. Sendo assim, a objetiva normal para esse formato seria uma 43mm, mas a 50mm é tida como normal por uma questão de custo de fabricação e pela facilidade de construção.”

É, chatinha mesmo essa explicação. Eu tenho a tendência de explicar de uma maneira bem boba, que a distância focal de 50mm é como se fosse a visão dos nossos olhos, por isso de normal.  A perspectiva e a distância do que é visto através da lente é a mesma.

tive que rir dessa foto

Grande angulares: Agora que sabemos o que são as lentes normais, fica fácil identificar quando uma lente é grande angular. Grosseiramente dizendo, o que for abaixo de 50mm já pode ser considerado grande angular, que, como o próprio nome diz, tem um grande angulo de visão. Essas lentes são excelentes para fotografia de paisagens ou de interiores, pois abrem bem o ângulo, permitindo enquadrar muitas coisas.

Tele-Objetivas: São as objetivas com grandes distâncias focais, que permitem fotografar algo à longa distância. Eu gosto bastante da perspectiva das teles, principalmente porque elas naturalmente reduzem a profundidade de campo, não dependendo da grande abertura da lente. É ótimo também para fotografar sem ser percebido, ou então para fotografia de retratos, sem deixar a pessoa desconfortável por você estar muito perto. Mas vale lembrar, que distâncias muito longas, acima de 200mm podem causar certas distorções. Já ouvi gente comentar que fotografia de retrato com tele deixa a pessoa com a cara achatada. Aí vai de cada um.

Além destas, ainda podemos citar à parte, as Objetivas Macro: Essas são as lentes apropriadas para se fotografar muito de perto. Podem ter distâncias focais variadas, como normal ou meia-tele. A sua caracteristica principal é que permite um foco mínimo muito próximo.  São muito utilizadas para fotografar insetos, plantas, pequenos objetos e também são as favoritas de quem trabalha com ortodontia, pois ela registra muito bem os detalhes.

(essa foto me dá agonia)

Muito bem! Agora que já entendemos as categorias das lentes objetivas, vamos às minhas opiniões sobre o que adquirir quando se está começando.

Sobre grande-angulares, meu conselho seria: só adquira se for trabalhar com algo muito específico, como arquitetura ou design de interiores, que exija o uso dela.

Recentemente fui olhar no orkut as fotos do casamento de uma colega de classe. Ela toda orgulhosa me disse que fez as fotos com um fotógrafo bastante renomado aqui da minha cidade. Pois bem, eis que 98% das fotos eram com lente olho de peixe. Nas dez primeiras eu já nao aguentava mais. E o album todinho de casamento seguiu assim, com aquele efeito distorcido. Gente, levem isso a sério, esse efeito cansa!!! Não invistam numa 10mm caríssima se a sua ideia é ficar brincando de distorcer a cara dos amiguinhos.

Normais, principalmente as luminosas, são um must-have. Depois da lente do kit, só uma lente 35mm ou uma 50mm acho que já te completa um set de lentes bem versátil. Primeira graninha que pintar, pode investir numa 50mm f/1.8 seja Canon, Sigma, Nikon que são todas baratinhas e muito boas.

As teles, também vejo como um investimento secundário, mas útil. A Nikon tem uma 55-200mm que serve de complemento para a lente kit 18-55mm que é show de bola. A Canon tem uma 70-300mm que é baratíssima e atende super bem àqueles que querem chegar mais perto. Se achar que vai usar com frequência, dentro do seu objetivo na fotografia, já está valendo o investimento.

Mas pessoal, uma coisa é certa. Se você está começando agora, tenham calma na aquisição de equipamentos. Não façam disso uma neura. Tenho certeza que para aprender a fotografar, qualquer um está bem servido com uma lente de kit.

Se você ainda tem dúvidas sobre que lente adquirir, talvez a resposta seja: não compre nenhuma por enquanto. Até porque, quando for uma real necessidade, você nem terá mais dúvidas.

Eu posso parecer uma super defensora dos equipamentos de entrada, mas vamos lembrar que este artigo é voltado para àqueles que estão começando. Gostaria de deixar isso claro, pois às vezes os novatos vão procurar na internet sobre primeiros equipamentos e se deparam com textos como este.

Nada contra o fotógrafo Fernando Paes, só acho que o artigo dele foge um pouquinho da realidade. O novato lê e pensa: “não tenho 12 mil reais para gastar com isso, vou desistir de ser fotógrafo e vou ser padeiro.”

Não é bem assim gente, dá sim para ir fazendo upgrade de material fotográfico no mesmo ritmo que você faz o upgrade de conhecimento.

Espero que tenham gostado das dicas de hoje. Não percam a 3º e última parte deste nosso Guia de Equipamentos Fotográficos, que será sobre flashes.

Até lá.

Escolhendo seu equipamento fotográfico. Parte I.

Olá amigos fotógrafos.

A dica de hoje é uma sugestão da nossa querida leitora Virgínia Nogueira, que me mandou o seguinte e-mail:

“Olá Huaíne,
Tudo bem?
Acompanho vc no Orkut, na comunidade D-60  e agora pelo seu blog.
Muito legal sua iniciativa…admiro seu jeito de escrever, explicar e ajudar.
Gostaria de fazer uma solicitação: Inclua no seu blog um post falando sobre equipamento para quem deseja trabalhar com fotografia. Eu estou iniciando nessa área e como sou novata, ainda fico um pouco confusa na hora de escolher equipamento. Como vc já atua nessa área e domina bem o assunto poderia nos ajudar, dicas de máquina, objetivas…flash…
Acho que é só isso tudo! rs.
Uma ótima tarde pra vc e fica com Deus ,
Nos vemos lá no blog.
Bjs

Virginia

Bom Virgínia, achei essa sua sugestão muito boa, então aí vão algumas das minhas ideias quando o assunto é equipamento fotográfico.

A escolha da câmera:

Como nosso amigo Leandro Neves bem ressaltou: tanto faz!

Mas como eu sei que a vida não é tão simples assim e a pobre Virgínia me mataria se eu concluísse dessa forma, vamos ao que eu penso sobre o assunto.

Já que a ideia aqui é dicas de equipamento para quem está começando a trabalhar com fotografia, vamos por enquanto pular as câmeras compactas e nos ater exclusivamente às reflex.

Corpo da câmera: Este quesito é extenso, pois você pode escolher determinado corpo de câmera por N razões, o primeiro deles geralmente é o preço.

As câmeras DSLR mais ‘em conta’ são as que costumamos chamar de ‘entry-level’. Em teoria elas não guentam o tranco do trabalho do dia-a-dia corrido de um fotógrafo. Mas vamos combinar, quem está começando não tem dia-a-dia corrido. Ninguém começa como foto-jornalista de guerra, então vejo aí uma super vantagem de comprar uma câmera reflex de entrada (eu tenho uma).

O legal é que elas já vem com uma lente de kit super bacana que te permite uma variedade incrível de fotografias. Retratos, paisagens, still, macro, tudo isso você pode fazer com uma lente simples, 18-55mm que acompanha o kit.

Atualmente eu recomendaria uma Nikon D5000 ou uma Canon Rebel T1i. As da linha Sony Alpha também são muito boas.

Empunhadura: Não sei o quanto minha opinião vai contar neste caso, pois sou de opinião contrária à grande maioria. Tenho mãos muito pequenas, então as câmera de entrada são perfeitas pra mim. Mas na prática a maioria das pessoas prefere câmeras com um grip maior. E assim sendo, as câmeras mais parrudas, que são mais resistentes, mais caras, com mais funções podem agradar à essas pessoas.

Dentro dessa categoria, de câmeras que estão nesse primeiro degrau, logo após as de entrada, estão as bem cotadas Nikon D90 (gostaria muito de ter) e a Canon 50D.


Peso: Vale lembrar, que se as câmera mais gorduchas podem nos dar uma melhor qualidade de imagem e maior resistência, elas também tendem a ser mais pesadas. Eu sou fracote, então procuro sempre maneirar no peso do set câmera + objetiva + flash.  Porém, mesmo quem não se importa tanto com isso, acaba sentindo o drama depois de muitas horas clicando.

Sensores: Atualmente mesmo as DSLR mais baratas tem uma boa qualidade de imagem. Acaba sendo mais uma batalha entre marcas. O que antes foi uma competição para quem atingia mais megapixels, hoje em dia a corrida é para ver quem consegue alcançar ISO’s mais elevados, mantendo as fotografias nítidas.

Sem puxar brasa para a sardinha de ninguém, eis uma imagem comparando ISO’s altos entre as câmeras Nikon D5000 e Canon Rebel T1i, num review feito pelo Gizmodo.

(amplie)

Compatibilidade com as lentes: Agora devo admitir que vou encarnar um pouquinho meu espírito nikonzeira. Quando optei pela marca, uma das razões foi que a Nikon sabiamente manteve a mesma baioneta das câmeras SLR – aquelas de filme – nas suas DSLR. Isso significa que a ‘biblioteca’ de lentes a sua disposição é muito maior, uma vez que as lentes mais antigas ainda poderão ser usadas nas suas cameras reflex moderninhas.

E quando o assunto são os “grandões”: Bom, aí posso afirmar que tanto faz mesmo! Se nem o preço, nem o peso são um problema para você, pode investir numa câmera full frame, como uma Nikon D700, D3x, a linha Mark da Canon, que é uma belezura ou até mesmo a série de full frames da Sony, como a A850.


Bom pessoal, como o assunto é bem extenso, resolvi dividir esta postagem em 3 partes. Na próxima falaremos sobre os tipos, marcas e funções das lentes objetivas.

Até lá.

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